<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Caos da Mel: Meus textos]]></title><description><![CDATA[Esboços de histórias curtas que escrevi ]]></description><link>https://melgdavies.substack.com/s/meustextos</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4gMJ!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff2454c7a-922b-493d-bbbb-5cc178a44c27_500x500.png</url><title>Caos da Mel: Meus textos</title><link>https://melgdavies.substack.com/s/meustextos</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Wed, 29 Jul 2026 05:18:37 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://melgdavies.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Mel G. Davies]]></copyright><language><![CDATA[pt]]></language><webMaster><![CDATA[melgdavies@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[melgdavies@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Mel G. Davies]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Mel G. Davies]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[melgdavies@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[melgdavies@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Mel G. Davies]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Magma]]></title><description><![CDATA[Uma dose de destrui&#231;&#227;o]]></description><link>https://melgdavies.substack.com/p/magma</link><guid isPermaLink="false">https://melgdavies.substack.com/p/magma</guid><dc:creator><![CDATA[Mel G. Davies]]></dc:creator><pubDate>Sat, 18 Jul 2026 01:04:15 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/73ab941e-ccbd-4114-9f7b-d7568bb68155_650x1155.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>O magma injetado em suas veias a consumia de dentro para fora. Todo o seu corpo convertia-se em uma camada s&#243;lida e inescap&#225;vel de amargura e rancor. Seus olhos eram chamas rubras raivosas crescentes, o corpo inteiro um po&#231;o de chamas.</p><p>Curvou-se sobre a terra p&#233;trea. As pedras aderiam &#224; sua pele como o &#243;dio adere &#224; escurid&#227;o e, sem se importar com a dor, com o sangue que escorria de suas m&#227;os, come&#231;ou a socar o ch&#227;o. </p><p>Uma vez. Duas. Tr&#234;s. Quatro. Cinco. Seis.</p><p>Em um dado momento, perdeu a conta.</p><p>Parou um instante, inalou o ar carregado de enxofre, esperando que ele pudesse acelerar sua morte, ent&#227;o observou &#224; sua volta. Para onde quer que olhasse, s&#243; enxergava cinzas e um mundo escuro. As chamas consumiam sua pele, mas enquanto esta desaparecia, ela sequer parecia estar consciente da dor.</p><p>Cansou-se. O peito subia e descia em um ritmo fren&#233;tico e, inspirando o m&#225;ximo de ar que podia, preparou-se para a pr&#243;xima onda de autodestrui&#231;&#227;o. N&#227;o bastava doer respirar. Era necess&#225;rio que seus punhos doessem tanto a ponto de sufocar a dor de olhar para o mundo &#224; sua volta.</p><p>Um mundo em chamas.</p><p><em>Este mundo est&#225; cheio de podrid&#227;o</em>, pensou, anestesiada.</p><p>Ela se curvou e, com toda a f&#250;ria que foi capaz de reunir em seus punhos, voltou a socar o ch&#227;o. Socou-o, vendo-o saltar com o &#243;dio contido em seus olhos angustiados, olhos de onde ela segurava suas l&#225;grimas afogadas. <em>N&#227;o se permitiria chorar.</em> Pedras voavam, o ch&#227;o rachava, e ela continuava socando-o, alheia ao seu pr&#243;prio desaparecimento. </p><p>Cada soco era como uma explos&#227;o em seus ouvidos. Uma explos&#227;o no mundo. </p><p>N&#227;o havia limite em sua dor. N&#227;o havia limite em sua f&#250;ria. E pensou, com uma certeza raivosa, que se n&#227;o podia queimar o mundo, ent&#227;o queimaria a si mesma.</p><p>Quando finalmente parou, recolheu os bra&#231;os. As pedras deslizaram de suas m&#227;os, e, em seu lugar, ela encarou sua pele: eram apenas ossos e pele em carne viva, de onde escorriam grossos filetes de sangue.</p><p>Ela fechou os olhos, tentando n&#227;o ceder &#224; vertigem, tentando n&#227;o ceder &#224; dor.</p><p><em>Dor</em>. Dor. Dor.</p><p>Ela fechou os olhos e finalmente gritou, mas o som que escapou de sua garganta era tudo, menos humano.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://melgdavies.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigada por ler Caos da Mel! Subscreva gratuitamente para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O gato]]></title><description><![CDATA[Um texto curto inspirado no conto "O gato", de Edgar Allan Poe, e na s&#233;rie "A Queda da Casa de Usher".]]></description><link>https://melgdavies.substack.com/p/o-gato</link><guid isPermaLink="false">https://melgdavies.substack.com/p/o-gato</guid><dc:creator><![CDATA[Mel G. Davies]]></dc:creator><pubDate>Fri, 15 Nov 2024 20:00:58 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/a1f2e5fc-4b28-4d43-9b80-e6fdc2af90fd_736x877.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ele se sentou sobre as quatro patas, a cauda abanando de um lado a outro. Os pelos pretos se destacavam contra a parede de tijolos ao seu lado, espessos e macios. Seus olhos verdes e grandes eram profundos, e observavam, com uma aten&#231;&#227;o e serenidade incomuns &#224; maioria dos animais, o c&#237;rculo bem no meio da parede.</p><p>&#8212; <em>Meow!</em> &#8212; ele ronronou, ent&#227;o ergueu uma das patas dianteiras, fazendo que ia saltar. <em>Mas n&#227;o saltou</em>. Ao inv&#233;s disso, ele apenas tornou a ficar sentado, no meio daquele beco completamente vazio, atento ao seu redor. O bichano podia detectar o som dos canos fazendo um barulho estranho por dentro das paredes, o som do rastejar dos ratos correndo atrav&#233;s das pilhas de lixo atr&#225;s dele. Ele n&#227;o se moveu. Qualquer gato comum correria atr&#225;s dos ratos, uma vez que estes eram suas presas naturais. Mas aquele <em>n&#227;o era</em> um gato comum e os ratos tinham pouca import&#226;ncia para ele. Tudo em que ele conseguia se ater era ao buraco na parede.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://melgdavies.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigada por ler Caos da Mel! Subscreva gratuitamente para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>De repente, um som abafado. Uma batida contra os tijolos da parede. O gato se aprumou, avan&#231;ando um passo, ent&#227;o parou e esperou, sua cauda balan&#231;ando em &#234;xtase de um lado a outro. O barulho se repetiu, dessa vez mais alto. Ningu&#233;m escutou, pois as ruas estavam completamente vazias &#224;quela hora da noite. O animal havia esperado at&#233; dar exatamente meia-noite, que era quando aquilo teria in&#237;cio.</p><p>Uma for&#231;a brutal se lan&#231;ou contra as paredes e tijolos ca&#237;ram em peda&#231;os, abrindo ainda mais o buraco. Ent&#227;o, o gato viu, do escuro, surgir a sombra do que pareceu ser um bra&#231;o se arrastando lentamente para fora, para logo ent&#227;o surgir mais um bra&#231;o, em seguida, a sombra de duas pernas e, por fim, a silhueta inteira de um homem.</p><p>Ningu&#233;m que o visse o reconheceria como humano. Ao menos, n&#227;o um <em>vivo</em>.</p><p>Sua carne estava apodrecida, quase que completamente carcomida, e larvas em efus&#227;o percorriam seu corpo, se alimentando do que restara de sua pele. Sangue, em muitos pontos j&#225; seco, se destacava contra profundas feridas em seu corpo, e o cheiro que emanava deste era insuport&#225;vel: uma mistura de terra com sangue, podrid&#227;o e algo mais. Da penumbra, podia-se visualizar os trapos com os quais o homem se cobria, mas que eram incapazes de tampar por completo todas as suas feridas.</p><p>O gato olhou para ele de baixo, parecendo impass&#237;vel a tudo aquilo. Ele viu quando o homem olhou em sua dire&#231;&#227;o, percebendo sua presen&#231;a. Ent&#227;o, o humano se abaixou at&#233; estar na altura dele, ao fazer isso, todo o seu corpo se esticando e estalando, um som de ossos arranhando contra ossos ecoando secamente no ar. Daquele ponto, o animal podia visualizar perfeitamente o rosto do humano &#8212; ou o que assim pensava ser &#8212; com nitidez: buracos onde outrora deveriam ter estado dois gl&#243;bulos brancos, as ma&#231;&#227;s do rosto em carne viva, completamente aberta, a boca inexistente, deixando entrever dentes apodrecidos e quebrados, a maioria deles em falta. Larvas percorriam os pontos onde a carne faltava e a terra era uma camada abundante que o sujava e deixava-o completamente irreconhec&#237;vel. T&#227;o perto assim, o cheiro do homem seria completamente insuport&#225;vel de se respirar, mas o gato sequer pareceu se dar conta disso.</p><p>Ent&#227;o, sem aviso pr&#233;vio, ele se aproximou do homem e, em um gesto de ternura, se esfregou sobre os tornozelos dele, fazendo "<em>Meow</em>". Em resposta a isso, ouviu o homem dizer, em tom baixo e rascante, enquanto fazia carinho sobre sua cabe&#231;a com suas m&#227;os esquel&#233;ticas e em carne viva:</p><p>&#8212; Obrigado, Poe. Obrigado por me trazer de volta. Vamos andando.</p><p>Ent&#227;o ele se aprumou e, juntos, cad&#225;ver e gato seguiram caminho atrav&#233;s da noite.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://melgdavies.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigada por ler Caos da Mel! Subscreva gratuitamente para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item></channel></rss>